domingo, 8 de junho de 2014

Desabafo Histórico

   Desabafo histórico


   Dom João VI chegou, fitou o povo e disse:-Todos pardos! Eis que pelo fenômeno do  “Deixa Fazer” devido ao clima dos trópicos, analisou.
   Seu filho, Dom Pedro I, mais tarde, compôs a música do Hino da Independência, primeiro Hino Nacional . Sua bisneta, Princesa Isabel, quebrou algemas em um ano bem simbólico, desenhado:1888!!
   E nossa bandeira, pós-Império, tem em sua faixa a frase “Ordem e Progresso” que soou como ameaça até nos entendermos como brasileiros. E como isso não nos aconteceu ainda, soa até hoje em verde e amarelo.
   Lobato afirmou que somos o “quintal de Portugal” e alguém duvida? O acordo foi firmado para manter a ordem na língua, como se a nossa não fosse afiada para cortar amarras. A Terrinha, ainda, apita no jogo da ortografia.
   Foram-se nossas matas, nosso ouro, vimos enforcado quem não aceitou o desvio.      Vimos o irmão índio vestido e queimado. Vimos o irmão negro descalço e humilhado.
  Que o brasileiro não tem memória todos exclamam!
  Quero um antídoto para o racismo hipócrita, para a falta de memória histórica, para a evasão escolar, para a falta de educação e tantos erros.

  Que o verbo venha do futuro para o presente para que assim, e enfim, nos entendamos como pardos fortes brasileiros!!!!! Gooooolllll

sábado, 7 de junho de 2014

quinta-feira, 8 de maio de 2014

    Eu só quero abraçar minha mãe.

    Enfim, está clareando. Estou sem voz, gritei o que pude neste silêncio, nunca odiei tanto o silêncio, nem os insetos se apresentaram.
   Estou respirando melhor e pausadamente, parece que estou me conformando com a morte. Não! Não! Eu quero viver, sei que o Senhor é o único que me ouve agora, eu quero viver! Estou movendo os dedos da mão direita, mas meus braços estão imóveis, não sinto minhas pernas.
   Eu quase não bebi, acho que foi um gole ou dois em copo de amigos. Amigos?! Como não me impediram de dirigir? Já que não posso mentir para Quem Tudo Sabe, eu confesso que dei umas tragadinhas, mas foi para abstrair a lembrança de vê-lo beijando aquela piriguete. Eu cheguei muito atrasada, estava no salão de beleza, e acho que ele pensou que eu faltaria ao nosso encontro. Não acredito que ainda quero arrumar desculpas para quem nunca me respeitou! E eu me respeito? A curva da estrada me engoliu. Não sei quantas vezes capotei, não sei onde estou nem como estou. O líquido que escorre em minha testa não é suor, sinto frio. Ele é quente, grosso e mistura-se com minhas lágrimas.
   Não quero morrer, Senhor! Quem me ama, verdadeiramente, não pode ficar sem mim. Ela deve estar desesperada nesse momento, ouvi meu celular tocando por toda a madrugada, sei que era ela. Perdoe-me minha mãe! Se eu sair dessa, eu a abraçarei forte com toda a gratidão que você merece.
   A última aula do curso foi sobre eufemismo, “partir dessa para melhor”, “descansar”, “virar estrela’, “encontrar-se com Deus”. Ou, ironicamente, como eu mereço: “comer capim pela raiz”, “ ir para a terra dos pés juntos” , Não é para rir não! Quero parar de pensar... não consigo!  Se “ penso, logo existo” então ainda tenho chance! Tenho emprego e estudo, cumpro meus deveres e daí acho que posso “enfiar o pé na jaca”, posso fazer o que quero!  Menos guiar meus pensamentos, estou misturando tudo, preciso pedir perdão pelos meus pecados e parar com todos esses pensamentos loucos já.
   Quebro este silêncio batendo com minhas unhas de porcelana que ainda não paguei nas ferragens do carro, alguém precisa me ouvir.
   Percebo que isso não foi culpa dele, eu que pareço um para-raio de canalhas, as pistas esfregavam-se no meu nariz. Nariz, fungo, tusso, espirro sangue no vidro do carro. Sempre espirro quando o sol bate em meu rosto frio. O sol que tanto persigo, agora me horroriza.
   Perdoe-me por todos os meus pecados! Lava-me com o poder de seu nome, Nosso Senhor Jesus Cristo!  Nenhuma droga me dominará mais, seja verde, seja branca, seja humana.
   Estão gritando lá em cima, acho que me viram. Grata! Grata!
   São muitos, acho que um exército. Um som maravilhoso de pedras estalando e galhos se quebrando.
   Agora estão cortando a lataria de meu carro, não ouso gritar, eles já viram que mexo a mão direita. Acomodaram-me em uma maca e a sobem pelo barranco com muito esforço. A minha crença na humanidade voltou. Esqueça o que falei sobre todos os homens, Senhor. Estes aqui prestam!
 Rasgaram minhas calças de grife cara, minha mãe escondeu o meu vestido temendo um estupro na noitada. Acaso não me respeite, mãezinha, eu já me basto!
   Movo meus olhos piscando em respostas e agradecimentos. Não tenho coragem de forçar as palavras.
   A ambulância corre com sirene estridente e eu repetindo baixinho, perdão, perdão, eu só quero abraçar minha mãe.   

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Minha oração



      Com um empurrão a janela abriu.
Senhor, agradeço por este milagre: mais um amanhecer. O sol vem chegando, logo aparecerá e esquentará. A claridade começa a invadir o meu quarto. Quanto poder! A noite não pode teimar em dizer:- Não quero ir! Temos a certeza que o dia chegará sem barreiras, mesmo as nuvens mais carregadas não cobrirão o poder do Seu astro, Rei.
      Quantas auroras, como esta, eu poderei contemplar? Não sei. Minha ignorância humana do “só sei que nada sei” é tão real como este céu.
      Senhor, que eu aproveite “cada milionésimo de segundo” deste dia em Sua presença.          Que eu não me desvie de Seu Espírito Santo nem um só momento. Que eu só pratique o bem porque nisto reside a minha saúde.
      Peço perdão pelos meus pecados, até mesmo por aqueles que ainda não reconheci como tais. Também pelas palavras cortantes que saíram de minha boca em momentos de descuido e que, lamentavelmente, não posso pegar de volta. Desfaça o poder destrutivo delas, recicle-as, transforme-as, é uma súplica para Quem tudo pode.
      Para que, assim, eu seja merecedora desta grande benção: ter forças para abrir uma janela e contemplar o nascer do sol.
      Não sei quantos me restam, só o Senhor sabe.

       

quarta-feira, 26 de março de 2014

Uma homenagem ao meu tio Carlos

   Uma homenagem ao meu tio Carlos

   Lembro-me de como meu coração inflava-se
 de carinho quando o via conversando na padaria.    De como ele equilibrava o seu cigarro no canto da boca malabaristicamente, rindo, contando causos, filosofando.
   Quando me via entrar no recinto, aproximava-se para pagar minhas compras e era aí que me arrependia do excesso de guloseimas. Só retirava o cigarro do canto para dar beijinhos espalhando fagulhas brilhantes para todos os lados em um abraço apertaaado.
   Muitas vezes, quando o via distraído com o padeiro, passava escondida por trás do balcão para pagar comprinhas com minha mesada, de nada valia o meu gesto honesto e desinteressado, pois a atendente me alertava: - seu tio disse que você, aqui, não paga.
   Não conheci meu avô materno, outro Carlos, mas soube o que dizia sobre o genro: - Êta! Português exagerado!
   Ele foi muito querido. Quanta saudade de meu tio com seu cigarrinho que nunca caía do canto da boca.
    


sábado, 19 de outubro de 2013

Achado não é roubado

Achado não é roubado


E foram apenas dois cocos e algumas bananas, mas a polícia o pegou como se fosse assaltante de banco.
Foi parar atrás das grades sem direito a advogado.
Os dias passavam e ele só queria explicar para sua mãe o porquê não havia voltado com o pão. Ele havia perdido o dinheiro e enquanto o procurava avistou a casa com um coqueiro tombado e bananas no chão da rua.
O cão deu o alarde e a dona da casa já havia chamado a polícia, tudo foi tão rápido. De dentro da viatura, ele pensava como poderia ser crime pegar frutas no chão, poderia pedir perdão.
Ao segurar as grades, lembrava-se de seus dias na escola, eram tão bons. Não faltava para não perder a comida e também para fazer o dever com capricho, prestava muita atenção à professora. Prometia para sua mãe que iria se formar ...um dia.
Era educado. Aos guardas dizia: “- por favor” e ao entregador de marmitas
“ - brigado”.
Certo dia, chegaram à delegacia duas velhinhas, uma branca e uma negra. A branca reclamava com a polícia que o ladrão continuava pulando seu muro e furtando seus cocos, bananas e pertences. A negra pedia informações sobre seu filho desaparecido.
O delegado que era um homem justo, entendeu que houve um equívoco. Mostrou o tal “ladrão” para a dona branca, que logo desfez o engano, aquele rapaz não era o moleque que invadia sua casa.
Ao olhar para a entrada da delegacia, viu sua mãe na sala, a velhinha negra, e se emocionou. O rapaz chorou, ele era inocente.
O delegado o soltou com muitos pedidos de desculpas, ele aceitou e saiu explicando o acontecido para sua mãe.

Naquele dia, ele resolveu voltar para a escola, sabia muito bem que achado não é roubado. Graças a Deus, tudo foi solucionado e agora ele tem um sonho: se tornar um advogado.  

Dai-me graças, Senhor!


     Dai-me graças senhor!
    Mesmo sabendo que não sou merecedora, me atrevo a pedir graças. Desejo um emprego de professora, porque tenho muito a ensinar, basta saber se os outros querem aprender tanto quanto eu quero, e por isso passo a refletir. Dai-me graças senhor!
     Sinto em dizer que os seres estão perdendo a noção do que é correto por dinheiro, e isto já vem do seu tempo, mas é que, agora, tudo piorou.
     Estou sem dinheiro, sem emprego, e mais duro é constatar que minhas dívidas irão aumentar com minha ausência em casa. Dizem que ninguém morrerá com a minha falta, que é só impressão minha, mas tenho uma caçula magrinha que não se vira para se alimentar e, certa vez, quando cheguei em casa às 18 h. , depois de sair cedo para trabalhar como secretária nas eleições, ela me disse que não havia comido nada desde então, fui cobrar da sua irmã acima a quem dei a obrigação tal e esta me respondeu que a pequena lhe dissera que nada queria e ponto final. Ponto final? Ponto de interrogação meu e de exclamação dos outros porque de fato ninguém morreu. Tá! Vejo que hoje tudo é muito simples, basta um levantar e abaixar de ombros, um bater com uma mão na outra limpando poeira invisível e um fazer de beiços em mímicas a dizer: - e eu com isso?
     Por tentar fazer o certo é que me atrevo a pedir graças. Vivemos momentos de total displicência e negligência com pessoas pensando: “- quem esquenta a cabeça é palito de fósforo” e daí deduz-se que todos se cansaram de procurar seus direitos. As leis não são cumpridas. Você ocupa um lugar já sabendo que se chegar alguém dono do dinheiro jogarão você para o final da fila. E por falar em fila, outro dia, de dentro do ônibus, vi uma enorme e pasmei, porque riam e conversavam, contando piadas talvez, porque de longe não se ouvia o motivo da graça. Mesmo em uma imensa fila, todos já haviam encontrado um meio de não se cansar, encostavam-se na parede, sentavam no chão ou em algo improvisado e não se irritavam pois era sabido da falta de vantagens e ficavam assim desfrutando o momento anti-reflexivo da falta no emprego ou da falta deste.
     Os americanos estão lá com aquela famosa frase na cabeça: “time is money, time is money” e por isso engolindo o mundo como um sapo a mosquitinhos e nós aqui gargalhando porque ouvimos dizer que rir é o melhor remédio, e , só por isso não vou chorar, mas ainda querendo ensinar o certo, luto para merecer Sua aprovação...

      Dai-me graças senhor!